Santa Comba-a-par de Seia.

Santa Comba-a-par de Seia, provavelmente teve origem a partir de casais, que pertenciam à Igreja de Santa Maria de Seia. Esta mesma Igreja teria ainda casais na Aldeia (de S. Miguel), o que prova que esta povoação é muito antiga. Existiam outros casais que pertenciam ao alcaide Esteves Anes de Covilhã (faz referência nas inquirições do ano de 1258) e ainda a outros cavaleiros, que provavelmente seriam de Seia. A Igreja de Santa Comba tinha também casais por doação. (continua no link, em baixo)


               Nessa época, possivelmente, já estava constituída como freguesia, mas em Igreja particular.

            Em meados do Sec. XIII, a “villa” e a Igreja de Santa Comba, tinham como donas duas “donas”, irmãs. D. Elvira e D. Sancha Garcia. Regiam-se «per foro de Sena». Os dois principais lugares eram e são, Vila Chã e Aldeia de S. Miguel.
            Os registos mais antigos encontrados e em arquivo, na Torre do Tombo, relativos a Baptismos, Casamentos e Óbitos, remontam ao ano de 1559.
            O nome vem da grande devoção que os povos consagravam à virgem e mártir Santa Comba. A origem do nome é igual a todas as freguesias beirãs, com esta denominação. Fez parte do arcediagado o qual transitou da Diocese de Coimbra para a Diocese da Guarda em 1882. A devoção é das mais antigas do País e pensa-se estar na origem do povoamento. Os historiadores têm opiniões diferentes em relação á devoção de Santa Comba-a-par de Seia. Alguns fazem menção à Santa “…que padeceu martírio em Espanha, de que faz menção o Martiriológico”. Outros, penso eu, mais precisos, “De todas as Combas martirizadas em Portugal pelas perseguições romanas e/ou muçulmanas o único corpo que, como relíquia, se conservou entre nós é o de Santa Comba de Celas perto de Coimbra. É a única Santa Comba portuguesa com missa própria e ofício próprio marcados a 20 de Julho para a diocese de Coimbra… Na diocese de Coimbra, Santa Comba aparece como orago da freguesia do Couto do Mosteiro, concelho de Santa Comba Dão e em Santa Comba a “par” de Seia, concelho de Seia, actualmente diocese da Guarda, freguesia que não só tem o nome da Santa, mas que a tem, como padroeira. A confirmação da influência do culto da mártir de Celas em relação a Santa Comba de Seia é evidente. A localização geográfica e religiosa falam por si…”.
            A freguesia contribuía para os bodos da Senhora da Lomba em Pinhanços, com três bois comprados na feira de Mangualde. Eram doados, por Santa Comba, Aldeia de S. Miguel e Vila Chã.
            Vila Chã como o nome indica, é uma terra aplanada e baixa, em várzea. É uma povoação anterior à própria nacionalidade. Possivelmente já existia uma “villa” agrária de remota origem hispano-romana, que se aproveitava das boas condições agrícolas. O lugar pertenceu à paróquia de Santa Maria de Seia. Nas Inquirições de D. Afonso III é claramente afirmado pelos jurados. No referido reinado terá pertencido, a um “miles” soldado, talvez fidalgo e não cavaleiro vilão, por nome Johane Gunsalvi (João Gonçalves). Nenhum foro fazia à coroa, o que era uma honra para o lugar, mas também pelo facto de o dono ser fidalgo. Foi dispensado por carta régia, «excusatur  colecta per cartam domini regis». Quando se formou a paróquia autónoma de Santa Comba, já depois de século XIII, Vila Chã passou a integrá-la até aos dias de hoje. Houve durante muitos anos uma capela dedicada a S. Roque.
Em resposta ao “interrogatório” de 1758, dada pelo Prior dessa altura, às perguntas: “Se tem Ermidas…”, “Se acode a elas romagem…”. As perguntas referiam-se a toda a freguesia.
“ Não tem Ermida alguma, e só junto ao Lugar de Vila Chã de Baixo, já referido, está uma Capela aonde no seu altar se venera a Imagem de S. Roque e por advogado contra a peste, vem ali cumprir os seus votos dos lugares circunvizinhos e de outros mais distantes muitas pessoas, em diversos dias, principalmente no em que se celebra a sua festividade, …”
            Os anos passam e tudo se altera. Hoje em dia a freguesia tem em Santa Comba a devoção a Santa Comba, já existia na altura não sei porque não é feita referência. A capela de S. Silvestre. Na Aldeia de S. Miguel a capela com o mesmo nome. Na Vila Chã, já não existe a capela de S. Roque, apenas uma fonte com a imagem do santo. Tem a capela do Anjo da Guarda, com grande devoção.
            Aquando das invasões francesas, Santa Comba sofreu muito com a passagem dos soldados franceses de Massena, quando foram obrigados a recuar para a fronteira após a derrota na Batalha do Buçaco. Durante o recuo das tropas francesas, não escapou praticamente nenhuma aldeia e a Casa da Bica foi completamente pilhada e incendiada. Santa Comba, Pinhanços, Paranhos, e Girabolhos foram as freguesias mais atingidas. Uma lápide que existia na Quinta da Bica documentava a passagem dos franceses pela freguesia de Santa Comba. O Bispado de Coimbra (Santa Comba, pertencia a Coimbra) tinha, na altura, 290 paróquias, só 26 não foram contempladas com a terrível visita dos soldados de Napoleão. Relativamente à lápide, infelizmente (procurei), mas já não existe. Quando aumentaram o aeródromo, nas últimas obras, a pedra desapareceu. Ninguém sabe onde está.  A família Sacadura Botte, só se apercebeu quando a referida pedra já não estava no local. Ainda procuraram mas em vão.
            O Solar da Casa da Bica é o principal edifício da freguesia, tanto do ponto vista arquitectónico, como histórico. A parte norte e poente deste solar foi destruída pelo incêndio que os soldados franceses atearam, mas foi reconstruída posteriormente, pela família Sacadura Botte. O Solar tem uma capela anexa. Sobre a Ribeira de Vodra existe uma ponte medieval e outra românica que servia de passagem para a via romana que vinha de Vila Chã , e passava junto a Crestêlo na direcção do Castro de São Romão.
            A Igreja Matriz é um amplo edifício, restaurado, do Séc. XVII.
            Relativamente ao “Interrogatório” já referido, deixo aqui mais algumas respostas, só por curiosidade:
            “Tem 4 lugares, cujos nomes, são Santa Comba, que é o principal mais próximo à Igreja – aldeia de S. Miguel – Vila Chã de Cima – Vila Chã de Baixo – e uma Quinta chamada da Bica, aonde habitam 12 vizinhos com separação de casa.”
            “Os frutos que recolhem os moradores desta Freguesia em maior abundância, são: milho grosso, centeio, vinho, azeite. Também este terreno produz trigo, castanha, e vários géneros de fruta, em menor quantidade”

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