Direito à diferença.

O direito à diferença só se trata de um verdadeiro direito se exercido num plano de igualdade. Sem essa igualdade, a diferença rapidamente se transforma em discriminação. Ao Estado cumpre criar as condições para que essa igualdade se verifique. E cabe-o fazer independentemente de se verificarem consensos sociais acerca de determinada matéria. Com efeito, e a meu ver, a sua acção mostra-se decisiva e legitimada, pela constituição e pelo poder que tem em legislar. 

O assunto, direito à diferença, já nem deveria ser abordado ou discutido, porque a meu ver somos e sempre fomos todos iguais. Independentemente da raça, cor, sexo, religião, ou condição/diferença física.

Infelizmente, a nível mundial estas diferenças continuam a fazer a, “diferença”.

Nos tempos medievais, o “ser superior”, era o homem (masculino), branco. Todo o ser humano que fosse diferente, era inferior, inclusive as mulheres. Felizmente hoje em dia, as mentalidades já mudaram e muito. Apesar de continuar a existir quem veja diferenças, onde elas não existem. Nalguns países, mais que outros.

É o caso da Irlanda do Norte, onde os Católicos e Protestantes, não se entendem. Em minha opinião, nem sequer deviam ter este nome. Porque, as duas religiões, não, apelam à discriminação pela diferença.

Não vendo os outro diferentes é a única maneira de mudar mentalidades. Tratá-los como iguais. Ensinar ás nossas crianças que algumas pessoas apenas precisam de cuidados especiais.

Os deficientes motores ou psíquicos, são diferentes, é um facto, mas se tiverem os, cuidados especiais, que já referi, conseguem ultrapassar as suas diferenças.

Uma das formas de ajudar, será eliminando barreiras arquitectónicas. Muitos dos edifícios já têm rampas ao lado das escadas. As casas de banho públicas e em centros comerciais têm, uma especifica para os deficientes motores. Mas continuamos a estacionar nos passeios. Alguns multibancos, têm nas teclas o Braile, para os invisuais, e se ao marcar o código, carregar de seguida na tecla 5, a máquina passa a comunicar/falar, as operações que está a executar.

Já começa a haver alguma preocupação. É um começo, mas temos que fazer muito mais.

Um local onde conseguimos testemunhar o direito à diferença é na Basílica do Santo Sepulcro. É verdade que a tolerância está presa por um fio muito fino, mas existe.

Tirado da WIKIPÉDIA:

“Desde o tempo dos cruzados, os recintos e o edifício da Basílica do Santo Sepulcro tornaram-se propriedade das três maiores denominações - os greco-ortodoxos, os armênio-ortodoxose os católicos romanos. Outras comunidades - os copta-ortodoxos egípcios, os etíope-ortodoxos e os sírio-ortodoxos - também têm certos direitos e pequenas propriedades dentro ou a pouca distância do edifício. Os direitos e os privilégios de todas estas comunidades são protegidos pelo Status Quo dos Lugares Santos (1852), conforme estabelece o Artigo LXII doTratado de Berlim (1878).” 

A minha experiência pessoal, em relação a este tema, passa pela minha filhota.

Após um parto difícil, ficou com algumas mazelas, não perceptíveis logo de início. Começou por não falar, porque não ouvia. Operada aos ouvidos pelo, Dr. Marques dos Santos, Viseu. Recuperou na totalidade. Depois, aprendeu a falar, com a Dra. Catarina Santos, de Vila Verde. Aprendeu num ano o que deveria ter aprendido em cinco.

Entretanto apercebemo-nos, que não via correctamente. Andou três anos num senhor (quem fez o que fez não é médico), que só ao terceiro ano, de consultas, percebe que ela não via de uma vista. Andou três anos com as lentes erradas.

O Dr. Heitor, Seia, aconselhou-nos, dada a gravidade, consultar um especialista. Prof. Dr. Eduardo Silva, do Centro Cirúrgico de Coimbra.

Apesar do diagnóstico tardio o médico decide tentar. É detectado, também, estrabismo, não horizontal mas vertical. Decide operar, para corrigir, na esperança de conseguir recuperar alguma visão. Depois da operação e vários tratamentos. A visão do olho, sobe apenas para 15%, tinha 10%, o outro, neste momento tem 90% com os óculos.

No meio de tudo isto, a filhota, tem algum deficit cognitivo, que é perfeitamente superável com o apoio da escola, (professores, director de turma, colegas, amigos) e do Colégio de Línguas.

É a minha experiência pessoal, sobre o tema, felizmente positiva. É viver o dia-a-dia, tentando ultrapassar um obstáculo de cada vez.

Podemos perceber que as diferenças podem ser sempre ultrapassadas, basta querer e poder.


Trabalho efectuado pela esposa do Pinhas, para o curso que frequenta.

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